Editorial: 2º Turno das Eleições

Editorial: 2º Turno das Eleições

Tempo de leitura: 4 minutos

Sejam todos bem-vindos a esse breve editorial do Pistolando Podcast. Para quem já acompanha o nosso trabalho já deve ser bem óbvia a nossa posição com relação ao segundo turno das eleições presidenciais, mas vivemos tempos tão malucos que pensamos que o óbvio também precisa ser dito e reafirmado.

O que quer que aconteça nesse segundo turno, nós já perdemos, como muitas pessoas sábias já perceberam e vêm afirmando por aí. Já perdemos porque a barbárie já chegou. Mesmo que Haddad seja eleito e consiga governar, mesmo que Bolsonaro seja eleito e não precise dar um golpe militar porque Câmara e Senado são dele, mesmo que o governo do Bolsonaro seja ótimo e não tome posições extremistas e que prejudicam as minorias, a mentalidade fascista já se espalhou. Já foi semeada e deu frutos, já pariu incontáveis filhotes. Desafiamos vocês a negar o que está acontecendo nas ruas, as ameaças, as agressões, o medo de quem sempre foi deixado de lado pelas autoridades e agora está sendo massacrado com a bênção delas.

 

O que deveria ser um sistema de governo que tutela os mais vulneráveis está mostrando ser exatamente o que qualquer pessoa que raciocina e tem sentimentos humanos sabia que iria acontecer: a corda arrebentando displicentemente do lado mais fraco. Pra nós do Pistolando, a tristeza maior é saber que tem gente que acha que vale a pena sacrificar minorias pra manter seus próprios privilégios. Ficamos tristes de ver que o ódio ao PT, muitas vezes sem ter a real noção dos números envolvidos, leva pessoas a compartilhar mentiras que elas SABEM que são mentiras, com o único intuito de eleger “qualquer coisa, menos o PT”, mesmo que essa “qualquer coisa” seja um governo que considera abomináveis parcelas consideráveis da população.

 

Não conseguimos e jamais conseguiremos entender quem está disposto a pagar, por uma suposta retomada econômica, o preço altíssimo representado pela barbárie, pela selvageria, pela ausência de democracia. De certa forma compreendemos que situações desesperadas levam a escolhas desesperadas, mas nunca, nunca perdoaremos quem entende exatamente o que está acontecendo, e mesmo assim escolhe o lado da barbárie. Se você tem acesso a informações mas escolhe não se informar, ou escolhe repassar informações falsas, ou escolhe ignorar quem desmente as fake news que você posta no zap sem checar, ou escolhe votar nele assim mesmo porque prefere a promessa de um governo bom pra você mas que prejudica as minorias, a culpa disso tudo que tá acontecendo é sua, e essas atitudes são imperdoáveis.

 

Ficamos com muita raiva de constatar que mais uma vez somos deixados sem escolha: ou nos rebaixamos a jogar o jogo sujo do outro lado, sem escrúpulos, mentindo, difamando, fingindo, violando a lei, tudo com o apoio descarado do Judiciário, ou perdemos. Na primeira hipótese, nos tornamos quase tão ruins quanto eles. Na segunda, somos aniquilados. A sensação de impotência consome qualquer um que não tenha sangue de barata. Não queremos nos tornar como eles, mas sermos exterminados também não ajuda.

 

Sejamos a sinceridade que gostaríamos de ver no mundo: Haddad não é a salvação da lavoura, não era nem o melhor nome entres os concorrentes do primeiro turno. Infelizmente diante do cenário desesperador no qual acabou se consolidando esse segundo turno não temos escolha a não ser digitar 13 e esperar que a democracia brasileira, já tão combalida nestes últimos 30 anos, consiga sobreviver a mais esse duro ataque.

 

Ganhe quem ganhar, tomaremos as ruas.

Ganhe quem ganhar, seremos oposição.

Ganhe quem ganhar, ofereceremos resistência a toda e qualquer tentativa de retirada de direitos da classe trabalhadora.

Convidamos cada um que ouvir essa declaração, que é meio editorial, meio apelo à razão, a engrossar as fileiras e estar ao nosso lado pelos tempos que virão.

 

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Nos próximos dias teremos alguns episódios extras em nosso feed para falar sobre algumas coisas que permeiam o contexto das nossas eleições mas que não tocam diretamente no assunto. Serão episódios mais curtos e menos produzidos. Essas publicações vão bagunçar um pouco o nosso cronograma, então não sabemos direito como serão as coisas nas próximas semanas. Voltaremos à programação normal de episódios quinzenais após o fim das eleições.

 

Inserções:

  • Trecho do discurso final de Charles Chaplin em “O Grande Ditador”
  • Francisco El Hombre – Bolso Nada

 

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