Textos

qual é o seu feminismo?

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Eu moro na internet, vocês sabem. Estou em vários grupos diferentes, alguns só de mulheres. São safe places pra nós, principalmente pras mais sensíveis de nós – não me incluo nessa categoria, mas sempre me sinto honrada de ser convidada pra participar deles.

Em um desses grupos passamos um bom tempo semana passada nos indignando com ômis fazendo omices em outro grupo do qual todas participamos, e onde somos minoria de gênero. Nada de altamente ofensivo, mas aquelas coisinhas de sempre: piadinhas de duplo sentido, menosprezo pelas nossas dúvidas e perplexidades, manterrupting, mansplaining, ômi ignorando solenemente as nossas contribuições. Passamos alguns dias indignadas e reclamando deles no nosso grupo. Até que umas três ou quatro delas, todas mulheres que admiro muito e cuja trajetória acompanho há tempos, vieram dizer que estavam cansadas do clima pesado que tava rolando no grupo e perguntar se não era o caso de dar uma acalmada e tentar chamar os caras no pvt, dialogar, explicar, lançar mão de comunicação não-violenta.

Não é uma estratégia na qual estou disposta a insistir.

Quem me conhece tá careca de saber que eu sou impaciente pra cacete, mas talvez vocês não saibam que a única coisa que eu adoro mais do que me irritar é explicar, ensinar. Eu já respirei fundo inúmeras vezes pra explicar o óbvio pra quem está láaaa no comecinho da desconstrução.

E vou dizer uma coisa:

CANSEI.

Sabe, essa virou mais uma função que jogam nos nossos ombros: explicar, ensinar. Ser babá intelectual de homem-menino que nem a responsabilidade de se educar quer assumir. Eu não quero mais isso. A única pessoa por cuja educação eu sou diretamente responsável é a minha filha. Estamos em 2018; a desculpa “desinformação e desconhecimento” não cola mais pra justificar machismo, racismo, homofobia e escrotidão generalizada.

Entendam: não estou de maneira alguma dizendo como você, mulher, deve se comportar, obviamente, mas eu, EU, Leticia Dáquer, JAMAIS serei aquela que sai do grupo porque os machos são escrotos. Jamais. Esperem sentados, porque não vai acontecer. Esse não é o meu feminismo. Eu sou aquela que vai começar questionando de leve, e depois vai distribuir voadoras nucleares, cadeiradas na gengiva, traulitadas na fuça, em quem insistir no comportamento imbecil. Eu não tenho mais saco pra discutir o óbvio com homem cretino. Não tenho mais paciência nem energia pra ensinar macho a não ser escroto. Não quero mais esse fardo. NÃO SOU OBRIGADA.

Pensem em quantas coisas a gente (nós, mulheres) não poderia estar debatendo, descobrindo, discutindo, aprendendo, ensinando, se não tivesse que perder tempo rebatendo argumentos idiotas e nos defendendo de ataques machistas. Quanta coisa mais produtiva poderíamos estar fazendo! Mas não, estamos aqui gastando saliva explicando pra gente escrota que ser escroto é ruim. Na boa, não. Não vou ser eu a encarnar mais esse papel. Tô fora. São pouquíssimos os homens que merecem esse esforço. Se você conhece algum, vai na fé, eu também já conheci e fui na fé e não me arrependo (inserir o gif da galinha rodando na discoteca com os dizeres I REGRET NOTHING). Mas a imensa maioria simplesmente não quer saber. A imensa maioria é comentarista de portal, e com comentarista de portal não existe CNV suficiente na Via Láctea. A gente fica perdendo tempo e energia com esses cretinos e deixando de fazer outras coisas mais produtivas, mais maneiras, mais enriquecedoras.

Vou citar aqui o livro que estou lendo, que foi a minha dica cultural do último episódio (que por sinal ficou tchutchuco e se você não ouviu ainda, tá perdendo):

Minha tradução livre: O tipo de compaixão que é útil para homens e meninos que estão tentando escapar de um mundo de violência, misoginia e constipação emocional não é a compaixão de um padre que perdoa os pecados, mas a de um médico que olha para um idiota que esperou demais antes de procurar ajuda para uma ferida purulenta e diz, com firmeza e precisão: sinto muito, mas vai doer.

Não existe maneira indolor de sair do machismo. Não vai ser saindo de grupos povoados de homens escrotos, nem chamando no pvt pra uma conversa longa e cansativa que não vai dar em nada e que só ele vai ler – se é que vai ler, nem fingindo que não é com a gente, que as coisas vão mudar. É isso o que eles querem: que a gente recue, deixe de ocupar espaços, evite o confronto. Existe esse feminismo de bastidores também, que faz esse trabalho de formiguinha, e admiro quem tem esse tipo de paciência, mas não é o meu.

Eu acho que tem que expor. Tem que jogar na cara. Tá sendo escroto no grupo? Mostra ao grupo o quão escroto ele tá sendo. Faz ele passar vergonha com os amiguinhos. Não importa se os amiguinhos o apoiarem, num exemplo de broderagem idiota; COM CERTEZA alguma moita no grupo (todo grupo tem moita) vai ler e vai pensar sobre o assunto, se bobear vai rolar até a proverbial botada de mão na cabeça, a reboladinha e o exame de consciência. Depois de mil mulheres reclamando da mesma coisa, de repente – de repente, talvez, quem sabe – eles entendam que trata-se de um problema real, e não de mimimi de feminazi.

Eu tô amando esse livro. Não sou uma estudiosa do feminismo, mas muitas coisas que ela diz eu já li antes; não há grandes insights até agora (ainda estou na metade). Só que, ao contrário de outras autoras pacatas que eu já li, ela tá putaça, e eu não consigo tirar a razão dela. Eu não entendo por que diabos não estamos todas tão putaças a ponto de parar o mundo inteiro. Qualquer jornal de qualquer país do mundo conta histórias de arrepiar os cabelos envolvendo mulheres se fodendo, porque vocês sabem, Sócrates já dizia, mulher só se fode. É todo dia, o tempo todo, no mundo todo. Por que diabos não tacamos fogo em tudo ainda? Não sei. Acho que nos falta raiva, de verdade.

NÃO VAI SER COM PALAVRINHAS DE AMOR E FLORES NO CABELO QUE VAMOS MUDAR O MUNDO. Infelizmente não vai, sinto muito. Concordo plenamente com a Laurie Penny, autora do livro acima: vai ter que espremer o furúnculo pra sair o carnegão, vai doer pra cacete, vai todo mundo ver estrelas de dor. Mas ficar passando pomadinha homeopática e dizendo que vai passar não vai resolver o problema.

E como a nossa descrição já diz, acreditamos que há pontes que precisam ser queimadas, e não construídas. “Ain mas é a minha opinião” – não. Ser escroto não é opinião. Interromper mulheres o tempo todo não é opinião. Menosprezar o sofrimento das mulheres não é opinião. Chamar a sua ex de maluca quando o idiota da relação foi você não é uma opinião.

O Ivan do Anticast comentou em um programa que ele só foi ter uma vaga ideia do que realmente uma mulher experimenta quando anda sozinha na rua quando a mulher dele, na época namorada ainda, disse “então faz assim, eu vou andando sozinha na frente e você vai me seguindo a uma certa distância, só observando”. Ele ficou horrorizado com o tanto de comentários que ela ouviu de homem que acha que chamar mulher de gostosa na rua super vai fazer ela se apaixonar por ele e tirar a calcinha na hora. Doeu assistir àquilo (sim, é crase)? Doeu. Ficou incomodadíssimo. Ela já tinha explicado a ele várias vezes, e ele não tinha entendido. Precisou ver com os próprios olhos e sentir o desconforto, o incômodo de assistir à cena pra começar a mudar de ideia. E isso porque o Ivan é gente boa. Se com homem gente boa só a gente falar não adianta, por que vocês acham que vai funcionar com o macho escroto?

Bora espremer o carnegão então. Sem anestesia.

P.S.: Muitos beijos pra mulherada do Vários Assuntos Ovariados e pra Julie do Bora Marcar?

 

#ativismonaweb

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Um dos muitos problemas recorrentes fora da minha bolha da podosfera esquerdopata gayzista marxista miçangueira é a dificuldade de conversar seriamente sobre temas que os coxinhas classificam sob o termo guarda-chuva “mimimi”. Um desses temas é a cultura do estupro. Já tentei introduzir o assunto muitas vezes no grupo dos médicos, por exemplo, mas um deles, um ser execrável de quem tenho vergonha de ter sido muito amiga por muitos anos, rebate com os clássicos não-argumentos da direita quando se toca nesse tópico. Ele é o clássico macho escroto que ficou pra trás quando o mundo andou: era aquele politicamente incorreto que todo mundo achava engraçado, a maior parte das pessoas entendeu que ele não tem mais graça, foi largado lindamente pela mulher e ainda levou um divórcio-relâmpago na fuça, e desde então foi só ladeira abaixo. Hoje é aquele homem-criança ridículo com senso de humor estilo Trapalhões, que baba quase que literalmente quando qualquer mulher passa ao lado dele e chama de feminazi qualquer uma que tenha dignidade e não dê trela pra sua figura patética. Como eu não tenho paciência pra discutir com macho escroto intelectualmente desonesto, acabo largando de mão.

Mas a gente PRECISA falar sobre cultura do estupro. O termo não é novo e nem brasileiro; foi cunhado pelas feministas da segunda onda nos EUA, o que já demonstra uma certa universalidade do patriarcado, onipresente quando se trata da nossa espécie.

O mundo é machista. Como já dizia Confúcio, mulher só se fode. Sempre estivemos na berlinda, sempre sofremos caladas, sempre fomos consideradas seres inferiores, objetos a serem possuídos, bibelôs/trophy wives, úteros ambulantes, a lista é longa e muito, muito triste. Nunca fomos ouvidas. Nossos anseios, nossas dificuldades, nossos desejos nunca foram levados a sério – nunca. Somos interrompidas O TEMPO TODO – outro dia mesmo estava assistindo à live da votação daquele abomínio do Escola Sem Partido e as deputadas mulheres eram interrompidas muito mais do que os homens. Quem não se lembra da entrevista da Manuela D’Ávila no Roda Viva, em que ela foi interrompida 12.394 vezes?

Mulheres dificilmente são criticadas (ou elogiadas) pelo que dizem ou fazem; as ofensas inevitavelmente caem pro nível pessoal, e SEMPRE acabam em sexismo. Até o vocabulário usado pra homens e mulheres é radicalmente diferente: mulher é vaca, piranha, cachorra, cadela, vadia, baranga, mal comida. Homem é garanhão, pegador, comedor. Não venham me dizer que nunca repararam nisso, pois ficarei decepcionada.

Não acertamos nunca: se não quisermos filhos, somos egoístas. Se quisermos filhos e deixarmos de trabalhar pra ficar com eles, somos preguiçosas. Se quisermos filhos e formos trabalhar fora, somos acusadas de negligenciar os filhos (me cobrem mais sobre esse assunto no futuro, por favor). Se quisermos um filho só, é triste porque filho único, né, ninguém merece; se quisermos muitos filhos, somos loucas, quem vai tomar conta, como vamos pagar as contas etc etc. Se dedicamos tempo pra ir pra academia, somos chamadas de superficiais, alá, se trabalhasse mais não teria tempo pra malhar. Se formos sedentárias, alá, toda largada, sem um pingo de vaidade. Se nos arrumamos muito, somos fúteis; se não nos arrumamos, somos molambas. Botem a mão na cabecinha e pensem em quantos homens vocês conhecem que estão sujeitos a essas mesmas críticas da mesma maneira.

Nunca somos levadas a sério: mulher bonita não é levada a sério porque se é bonita, é burra; mulher feia não é levada a sério porque deve ser mal comida e portanto rancorosa e fala as coisas por raiva e não de maneira racional.

Essa ausência de voz, essa dificuldade imensa em nos fazermos escutar, nos deixa numa posição extremamente vulnerável. Um número imenso de mulheres que sofrem abuso e violência de todo tipo – sexual, psicológico, verbal, financeiro – nem se dá ao trabalho de denunciar o agressor. Sabem que não acreditarão nelas, sabem que vão perguntar que roupa estavam usando quando aconteceu, sabem que a culpa, no final das contas, vai ser dada à vítima. Há MUITOS relatos na internet de mulheres contando como foi a tentativa de BO em delegacias, inclusive em delegacias da mulher. Contando como foi terrível ter que entrar em detalhes, ter que aguentar os olhares que as culpabilizavam pelo ocorrido, ter que responder a perguntas cretinas, ter que quase que pedir desculpas por terem-se deixado estuprar. O resultado é que o número de casos de feminicídio é, compreensivelmente, subnotificado. Vejam bem, não é só no Brasil – como já estamos carecas de saber, o mundo inteiro é machista.

Não é só no Brasil, mas aqui o bicho pega de maneira bem escancarada. Nossos números são absolutamente escandalosos, e o Grandíssimo Saco de Merda recém-eleito certamente não vai ajudar a melhorá-los. Quando um desgraçado machista lidera o seu país, você se sente autorizado a ser machista também. A tendência é piorar.

Esse meu ex-amigo desprezível é daqueles que acham que o termo feminicídio é desnecessário porque já existe homicídio, que contempla qualquer ser humano vítima de assassinato (o interessante é que ninguém contesta a existência do termo latrocínio, que é matar pra roubar – a motivação é diferente, logo o termo é diferente). Você que tá lendo isso aqui provavelmente entende o motivo da necessidade de um termo específico pro assassinato de mulheres, mas pro caso de não entender, ou de ter que explicar pra alguém, vamos lá: enquanto que sim, é verdade que morrem assassinados mais homens do que mulheres, também é verdade que homens que matam outros homens o fazem por mil outros motivos – roubo, tráfico de drogas, brigas idiotas em bar – que não o simples fato do outro ser um homem. Mulheres mortas pelas mãos de homens morrem por serem mulheres – e portanto por serem consideradas objetos descartáveis, seres cuja vida não tem valor, não-pessoas que servem para serem violentadas, exploradas, e depois eliminadas (ou trocadas por outras mais jovens, como nosso atual presidente e como o Grandíssimo Saco de Merda ilustram perfeitamente). Quando uma mulher é morta pela sua condição de ser mulher – o ex-namorado que não aceita o fim do relacionamento, o marido que não aceita uma nova gravidez, o pai que não aceita que a filha saia à noite com os amigos – isso requer uma nomenclatura diferente. Feminicídio, portanto. Vejam bem: o ex-namorado não aceita o fim do relacionamento porque ele, homem, não pode ser descartado por ela, mulher; afinal de contas, quem manda é ele. O marido que não aceita uma nova gravidez está primeiramente tirando o dele da reta, como se ela tivesse engravidado sozinha; além disso só quem tem útero engravida, logo a “desculpa” “matei porque ela engravidou” só funciona pra mulheres (e outras pessoas com útero, mas vocês entenderam). O pai que mata a filha porque ela saía de minissaia com os amigos à noite se justifica dizendo que isso não é comportamento de mulher séria – se fosse o filho homem esse tipo de comportamento não seria um problema, ou seja, ela só morreu porque era mulher.

Se vocês acham que isso é frescura, me digam quantos casos conhecem de pais que mataram seus próprios filhos homens pois esses engravidaram a namorada ou porque querem sair à noite com os amigos ou porque usam short curto demais. E não, não estou falando de pais que matam filhos gays; a homofobia tem uma ligação muito estreita com o machismo porque o maior defeito do homem gay é ser visto como “mulherzinha”, e ser mulherzinha é errado e feio. Ser mulher é visto como uma coisa ruim, ponto.

Mulheres apanham de seus companheiros rotineiramente e muitas não têm condições financeiras e/ou psicológicas pra sair de um relacionamento abusivo. É fácil pra gente olhar de fora e se perguntar “mas por que ela ainda tá com esse cara?”, convenientemente esquecendo que se ela não tem como se bancar sozinha, não tem como sair de casa; se ela tem filhos, isso complica imensamente uma fuga; se ela sabe que vai ser perseguida e assassinada, ela não vai fugir. Eu e você que estamos lendo somos, provavelmente, brancos, estudados, com família relativamente estável. Temos pra onde fugir. E mesmo assim quantas de nós mulheres brancas de classe média não desistimos de sair de  relacionamentos abusivos ou simplesmente ruins porque é TÃO complicado e doloroso e logisticamente difícil sair deles que nos parece menos terrível permanecer numa situação desagradável, porém conhecida?

Cultura do estupro é isso tudo. Objetificar mulheres faz parte da cultura do estupro, pois um ser humano tratado como objeto, desumanizado, é mais facilmente oprimido e eliminado. Culpabilizar a vítima faz parte da cultura do estupro, pois livra de responsabilidade quem realmente cometeu o crime, o que significa que provavelmente vai cometer de novo. Desprezar o sofrimento alheio faz parte da cultura do estupro – a partir do momento em que você deixa claro que acha frescura se incomodar com pequenos atos diários de machismo, está limpando a sua barra pra continuar cometendo esses atos, afinal de contas a culpa é de quem se ofende por qualquer coisa. Aquela broderagem maneira, sabe, ver o colega mostrando foto da amante pelada na cama que ele tirou escondido e não repreendê-lo, não tomar o lado da colega de trabalho que foi ofendida pessoalmente por outro colega usando termos machistas, dar penas leves pra quem cometeu crimes hediondos contra mulheres (leia-se passar pano pra macho) contribui pra cultura do estupro.

Sabe o que mais faz parte da cultura do estupro? Esses nossos pequenos machismos cotidianos, o uso de termos machistas no nosso vocabulário corrente, falar coisas aparentemente inocentes como “olha só o Robertinho, 1 aninho e já gosta de mulher, vai ser um garanhão”, “essa Renatinha vai dar trabalho, hein, é bonita demais”, a hipersexualização de crianças (e uma ramificação disso é a tara por mulheres totalmente depiladas, vamo combinar).

O fato de termos que criar leis específicas pra proteger mulheres não é mais do que um reflexo dessa cultura que normaliza o assédio e a violência. Há uns meses estive com a Ana Cardoso num evento da Defensoria Pública do Paraná em que foi criado um projeto pra proteger mulheres vítimas de abuso, e a Maria da Penha contou a sua história, que é sempre muito dolorosa de ouvir. A lei com o nome dela é admirada em todo o mundo, mas o fato de que tenha sido preciso criar uma lei desse tipo é incrivelmente triste. Foi preciso criar uma lei que torna crime ejacular em público (leia-se ejacular em cima de mulheres no ônibus, uma coisa que acontece com uma frequência BIZARRA no Brasil). Os vagões rosa (CHER DO CÉU, COMO EU ODEIO ESSA MANIA IDIOTA DE SEM-PRE USAR ROSA PRA REPRESENTAR MULHERES. Em tempo: “rosa” usado como adjetivo não vai pro plural, tá? Então é “vagões rosa” mesmo, assim como seria “vagões cinza” e “vagões laranja”, porque esses adjetivos são derivados de substantivos. Obrigada, de nada) no metrô do Rio e em outras cidades no mundo inteiro são um exemplo. Em vez de ensinar os homens a não encoxarem as mulheres no transporte público, cria-se um vagão só pra elas, coitadas. E pensar que ainda criticamos os muçulmanos por todas as atitudes que tomam pra “proteger” as mulheres, pois os pobres homens de merda não conseguem se controlar, são regidos pelos seus pênis, ó vida, ó céus.

 

Não somos tão diferentes deles não, na real. Homens não querem perder seus privilégios – leia-se não querem perder o direito de assediar mulheres – e por isso no fim das contas quem tem que esperar o vagão rosa (porque se sofrer assédio em outro vagão certamente irão perguntar MAS POR QUE VOCÊ NÃO ESTAVA NO VAGÃO ROSA? SE ESTIVESSE NO VAGÃO ROSA ISSO NÃO TERIA ACONTECIDOZZZZZZZZZZZ), tem que cobrir a cabeça, tem que usar vestido até o pé, somos nós mulheres.

Espero estar deixando claro que o fenômeno é mundial, embora no Brasil as coisas sejam particularmente ruins. Dar nome aos bois e usar a terminologia correta – feminicídio, estupro, abuso – ajuda. Parar de interromper mulheres ajuda. Educar seu filho homem não pra ser pegador, mas pra respeitar todo mundo, ajuda. FALAR SOBRE GÊNERO NA ESCOLA AJUDA, mas nem isso teremos, com o governo do Grandíssimo Saco de Merda vetando qualquer tipo de conversa útil nas escolas.

Pra chegar ao macro, precisamos partir do micro. Pra conseguir grandes mudanças na sociedade, é preciso que a gente mude também. É importante prestar mais atenção ao que dizemos, a como nos comportamos – principalmente se você, leitor, for homem. Não seja o macho escroto. Não interrompa quando uma mulher estiver falando. Não explique a uma mulher uma coisa que ela sabe melhor que você. Não use termos como “aquela vaca”, “aquela piranha”. Não deixe de denunciar o amigo que fez revenge porn. Não seja esse macho escroto.

Micro também significa ativismo online. Por isso gravamos um episódio com a Aline Hack do podcast Olhares, falando sobre justiça reprodutiva. O episódio saiu antes da campanha #ativismonaweb começar e vocês já devem ter ouvido, mas isso não faz a menor diferença, porque esse assunto é atual sempre e deveria ser discutido todo fucking dia. Segundo o site oficial da Câmara, “A campanha, realizada em escala mundial de 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, a 10 de dezembro, data em que foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, também tem o objetivo de propor medidas de prevenção e combate à violência, além de ampliar os espaços de debate com a sociedade.” Não é mimimi de feminazi brasileira. É uma campanha mundial, porque o problema da violência contra as mulheres é mundial. No Brasil a campanha começa dia 20 pra pegar a onda do Dia da Consciência Negra, hoje, 20 de novembro. Nossa campanha aqui é mais longa porque no Brasil as mulheres negras sofrem muito mais violência do que as brancas.

Pra participar da campanha, usem seus canais de comunicação pra discutir o assunto e usem as hashtags da campanha nas mídias sociais. Quando forem divulgar esse texto e o nosso episódio de justiça reprodutiva (e eu sei que vocês vão divulgar, porque vocês são gente boa), usem as hashtags da campanha.

Leiam mulheres. Ouçam mulheres. ESCUTEM O QUE TEMOS A DIZER. Nós precisamos ser ouvidas, ser levadas em consideração. Não existe outro caminho pra acabar com a cultura do estupro e com a violência contra as mulheres.

Castração química não resolve, armar mulheres não resolve, nem penas mais pesadas resolvem, pois sabemos que nada disso detém quem realmente quer agredir, e num país normal o objetivo principal nem deveria ser prender estupradores, na boa, né. O objetivo principal deveria ser que HOMENS PARASSEM DE ESTUPRAR, ponto final.

Beijo.

 

 

Guia de sobrevivência ao almoço de domingo – Parte 6: Defesa nacional

Tempo de leitura: 7 minutos

Olá, amiguinhos, estamos de volta para mais uma parte da análise do plano de governo de Bolsonaro. O último, além de ficar longo, deu um puta trabalho pra levantar os dados, então esse aqui vai ser um pouco mais curto e vai ter muita lição de história.

DEFESA NACIONAL

Garantia da Lei e da Ordem
Dentre instituições, grupos, pessoas ou atividades, que tiveram sua imagem atacada pela doutrinação ideológica de esquerda, certamente as Forças Armadas do Brasil estão entre as que mais sofreram.
Houve clara intenção de desconstruir a imagem desta espinha dorsal da Nação, afinal, elas são o último obstáculo para o socialismo.
Saliente-se que as Forças Armadas do Brasil tem uma História que nos orgulha. Por exemplo, heróis brasileiros lutaram contra o Nacional Socialismo na Segunda Guerra Mundial. Fomos o único país da América Latina a lutar contra os Nazistas. Posteriormente, outros heróis impediram a tomada do poder por forças de esquerda que planejavam um golpe comunista no Brasil em 1964, conforme o editorial: Julgamento da Revolução – O GLOBO, 7 de outubro de 1984.
Atualmente, a Nação olha para as Forças Armadas como garantia contra a barbárie.

Bolsonaro cita uma suposta difamação da imagem dos militares por um conceito muito vago de esquerda. Uma pena que seja lá onde ele estudou deve ter dormido nas aulas de história. Vamos recapitular?

  • 12/11/1823, a “Noite da Agonia”: Quando Karl Marx tinha apenas 5 anos e o Brasil apenas 1 ocorreu o primeiro golpe da pátria independente. Dom Pedro I ordenou um cerco e a prisão e exílio dos deputados constituintes liberais, formando logo depois um novo conselho composto apenas por conservadores da sua confiança. A quem foi ordenada tal atitude golpista? A eles, claro, os militares.
  • 23/07/1840, o Golpe da Maioridade: 34 anos do nosso bom velhinho terminar O Capital, lá estava o Brasil metido em outro rolo. Dom Pedro I abdicou do trono, seu filho ainda cheirarava a leite e a briga entre liberais e conservadores estava no auge. Em suma, fizeram a cabeça do moleque pra assumir logo e às favas a Constituição, que só permitiria a ascensão ao trono após os 18 anos completados.
  • 15/11/1889, a Proclamação da República: Mais uma vez tivemos paticipação direta dos militares. Marechal Deodoro da Fonseca foi persuadido a marchar contra seu mui amigo Dom Pedro II após Benjamin Constant e outros positivistas da época dizerem a ele que Gaspar da Silveira Martins, seu desafeto declarado, seria nomeado comandante do exército. Ah, é era mentira.
  • 03/11/1891, O Golpe de Três de Novembro: O mesmo Marechal Deodoro da Fonseca acaba eleito presidente pelo voto indireto e na data referida dissolveu o congresso nacional numa canetada e declarou estádio de sítio no país.
  • 23/11/1891, A Primeira Revolta da Armada fez sua principal vítima. Marechal Floriano Peixoto assume após a renúncia de Deodoro. A consituição da época regia que se o presidente deixasse o cargo em menos de um ano de sua eleição, deveriam haver novas eleições. Floriano não deu a mínima para os dispositivos constitucionais e permaneceu no cargo. 2 anos de república e 3 golpes de militares; que fase…
  • A Revolução de 30: Após uma eleição fraudada para que Júlio Prestes fosse o sucessor de Washington Luís, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba não aceitaram o resultado, e no vuco-vuco que se sucedeu João Pessoa, então governador da Paraíba, foi morto. Foi a gota d’água para que setores militares embarcassem no bonde golpista de colocar Getúlio Vargas na cadeira. Segue um trecho:“[…] detinha a superioridade militar sobre os revoltosos, mas faltava ao alto-comando vontade para defender a legalidade. Os chefes militares sabiam que as simpatias da jovem oficialidade e da população estavam com os rebeldes. Uma junta formada por dois generais e um almirante decidiu depor o presidente da República e passar o governo ao chefe do movimento revoltoso, o candidato derrotado da Aliança Liberal. Sem grandes batalhas, caiu a Primeira República, aos 41 anos de vida.”
    (Carvalho, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015. p. 100).
  • O “Estado Novo”: Não perca as contas, ja estamos no sétimo golpe! Em 1937 o General Olímpio Mourão Filho fez uma presepada, inventou um tal de Plano Cohen inexistente e nele dizia que estava em curso uma possível tentativa de revolução socialista – na época o socialismo e o tenentismo afloravam no Brasil. Em 30 de setembro de 1937 o General Eurico Gaspar Dutra declara Estado de Guerra e cassa os direitos constitucionais. Em 10 de novembro é fechado o Congresso Nacional sob aplausos dos integralistas (uma versão tupiniquim do fascismo). Nada de eleições previstas para 38; a ditadura Vargas vai até 1945.
  • A Deposição de Vargas: Praticamente os mesmos militares que apoiaram o golpe de 1937 tiraram Vargas do cargo em 1945. Enquanto Getúlio tentava fazer uma transição para manter tudo dentro das suas vontades, a pressão popular ia apertando. Quando Gegê afastou o chefe de polícia do Distrito Federal, João Alberto Lins de Barros, e pôs em seu lugar seu próprio irmão, o General Góis Monteiro, que o havia ajudado em 1930, reagiu ao gesto de Vargas e mobilizou tropas no Distrito Federal. Góis e Dutra exigiram a renúncia, mas tudo que ganharam foi um cadáver martirizado.
  • 01/04/1964 O Golpe Militar: Esse eu vou me abster de comentar. Foram 21 anos de cerceamento de liberdades e todo o tipo de crime sob o pretexto de um fantasma do socialismo que jamais chegou perto de tomar o poder.

Nos nossos últimos NOVE Golpes de Estado apenas um não teve o envolvimento direto de setores das forças armadas. Diferente do que o candidato diz, as forças armadas não são “o último obstáculo para o socialismo”, mas sim o último obstáculo para a Democracia.

DEFESA NACIONAL

Segurança das Fronteiras
Devemos recuperar as condições operacionais de nossas Forças Armadas, com a valorização e a proteção de seus integrantes!
Diante das crises, nossos combatentes precisam de equipamentos modernos, não somente de veículos e armas. Ameaças digitais já são presentes. Nossas Forças Armadas precisam estar preparadas, através de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, com a participação das instituições militares no cenário de combate a todos os tipos de violência.
Além disso, no papel de consolidação nacional, devemos lembrar da participação das Forças Armadas no processo de atendimento da saúde e da educação da população, principalmente em áreas remotas do país.
As Forças Armadas terão um papel ainda mais importante diante do desafio imediato no combate ao crime organizado, sendo importante buscar uma maior integração entre os demais órgãos de segurança pública, principalmente na estratégia de elevar a segurança de nossas fronteiras.
Teremos em dois anos um colégio militar em todas as capitais de Estado.

Aqui basicamente só aparecem frases inócuas de exaltação das forças armadas, é o popular “jogar pra torcida”. A única coisa que é digna de nota aqui é o tal colégio militar. Sobre isso eu não vou fazer textão não, vou colocar um vídeo do Le Monde Diplomatique que é mil vezes melhor do que eu:

SUFOCAR A CORRUPÇÃO

• Transparência e Combate à Corrupção são metas inegociáveis.
• Como pilar deste compromisso, iremos resgatar “As Dez Medidas Contra a Corrupção”, proposta pelo Ministério Público Federal e apoiadas por milhões de brasileiros, e encaminhá-las para aprovação no Congresso Nacional.

Quando eu penso que já tava acabando o texto chegam as tais “As Dez Medidas Contra a Corrupção”. Não vai ter jeito, vamos ter que destrinchar. As tais medidas estão cheias de falácias e não tem como passar batido por elas.

Pra começar as 10MCC são referenciadas como se fossem um documento plural, contruído pelo MPF juntamente com a sociedade – ao menos é o que o site diz, mas “curiosamente” não há lugar algum em que você consiga acessar a íntegra dos documentos a não ser pelo site do 10MCC que, para a surpresa de ninguém, é do MPF!  Fique à vontade para procurar quem é essa sociedade que ajudou, não vai chegar a lugar algum. Há um problema nisso? Não exatamente, não é nada ilegal, mas essa maquiagem de iniciativa popular, convenhamos, não é a coisa mais moral do mundo.

Outra forma utilizada para legitimar as tais 10 medidas é dizer que elas têm como respaldo 2 milhões de assinaturas em um abaixo-assinado, mas vamos lá, se alguém te para na rua e diz que tem um abaixo-assinado que é contra a corrupção você deixaria de assinar? Quem diabos é a favor da corrupção??? É uma retórica baixa.

Eu poderia fazer um texto gigante sobre essas medidas ou até mesmo quem sabe elas virem um episódio do nosso podcast, eu só vou deixar aqui uma situação pra mostrar o quão absurdo é o projeto.

Vamos pegar o que está no anteprojeto do primeiro ato, o teste de integridade:

“Art. 3º Os testes de integridade consistirão na simulação de situações sem o conhecimento
do agente público, com o objetivo de testar sua conduta moral e predisposição para cometer ilícitos
contra a Administração Pública.”

Basicamente o que vai rolar? Lembra do teste de fidelidade do João Kléber? É basicamente isso, mas ao invés de uma modelo sensual forçando a barra pra cima de um garotão com namorada seria um policial disfarçado esfregando dinheiro na cara de um servidor público mal remunerado. E eu não tô inventando não, tem até artigo mandando filmar quando possível. A ideia é provocar uma situação pra cima do servidor forçando uma barra pra ele aceitar algum tipo de vantagem, financeira ou não e ser pego com a boca na botija.

Talvez você esteja achando interessante né? Bem, tudo terá de ser previamente comunicado e é vedada a realização dos testes com juízes e cargos de alto escalão, afinal todos sabem que quem fez o Petrolão, os escândalos de Furnas e do metrô de SP foram os almoxarifes e contínuos, né?

A medida é um ornitorrinco que mesmo que tivesse boa intenção possui várias falhas e abre precedentes para excessos. Ou você acha que não rolaria de plantar uma grana na sala daquele secretário que almoça com a turma do sindicato pra incriminá-lo e tirar do caminho? Achou exagerado? É porque você não conhece o modus operandi de alguns outros servidores públicos por aí… [¹] [²]

 

Esse texto é parte de uma série. Não deixe de ver os nossos outros textos sobre o tema:

Introdução
Parte 1: “O Brasil livre”
Parte 2: “Mais Brasil, menos Brasília
Parte 3: Estrutura e gestão
Parte 4: Linhas de ação
Parte 5: Mentiras da esquerda
Parte 6: Defesa nacional
Parte 7:  Saúde
Parte 8: Educação (EM BREVE)
Parte 9: Inovação, ciência e tecnologia (EM BREVE)
Parte 10: Economia (EM BREVE)
Parte 11: Economia 2 (EM BREVE)
Parte 12: Economia 3 (EM BREVE)
Parte 13: Economia 4 (EM BREVE)
Parte 14: Economia 5 (EM BREVE)
Parte 15: Agricultura e Infraestrutura (EM BREVE)
Parte 16: Energia, petróleo e gás (EM BREVE)
Parte 17: Tranportes, portos e aviação (EM BREVE)
Parte 18: O novo Itamaraty (EM BREVE)

Guia de sobrevivência ao almoço de domingo – Parte 7:  Saúde

Tempo de leitura: 5 minutos

Falou em saúde e educação, eu entro em campo! Então lá vamos nós:

SAÚDE E EDUCAÇÃO

A SAÚDE DEVERIA SER MUITO MELHOR
Com o valor que o Brasil já gasta!
Abandonando qualquer questão ideológica,
chega-se facilmente à conclusão que a
população brasileira deveria ter um
atendimento melhor, tendo em vista o
montante de recursos destinados à Saúde.
Quando analisamos os números em termos
relativos, o Brasil apresenta gastos
compatíveis com a média da OCDE, grupo
composto pelos países mais desenvolvidos.
Mesmo quando observamos apenas os
gastos do setor público, os números ainda
seriam compatíveis com um nível de bem
estar muito superior ao que vemos na rede
pública.
É possível fazer MUITO mais com os
atuais recursos!
ESSE É NOSSO COMPROMISSO!

A saúde é uma bosta blá blá blá poderia ser melhor blá blá blá Whiskas sachê.  Gastaram um parágrafo inteiro pra falar o óbvio. Todo mundo sabe que a saúde pública fica muito aquém do que deveria, apesar do SUS ser um projeto MARAVILHOSO elogiado no mundo inteiro. Quantos outros países no mundo oferecem serviços de saúde totalmente gratuitos? Lembrando que em muitos outros ele é pago E ruim ao mesmo tempo. O SUS deve ser defendido com unhas e dentes, mas isso requer investimento. Coisa que o programa do Bozo já disse que não vai fazer (veja aqui e aqui). Eles dizem que é possível fazer muito mais com os atuais recursos (mais uma vez mostrando que não pretendem aumentar os investimentos no SUS). Como vão fazer isso?

SAÚDE NA BASE

O Prontuário Eletrônico Nacional Interligado será o pilar de uma saúde na base informatizada e perto de casa. Os postos, ambulatórios e hospitais devem ser informatizados com todos os
dados do atendimento, além de registrar o grau de satisfação do paciente ou do responsável. O cadastro do paciente reduz custos ao facilitar o atendimento futuro por outros médicos, em outros
postos ou hospitais. Além disso, torna possível cobrar maior desempenho dos gestores locais.

Ótima ideia informatizar tudo, super maneiro, fica bonitão, o computador lá, o médico cutucando a tela do tablet, todo disruptivo, pipipi popopó. Mas vem cá… O Brasil tem internet confiável, estável, difusa em todo o seu território? O posto de saúde lá nos cafundós do Amazonas vai ter prontuário digital?

E essa deveria mesmo ser a prioridade pra melhorar o SUS?

Credenciamento Universal dos Médicos: Toda força de trabalho da saúde poderá ser utilizada pelo SUS, garantindo acesso e evitando a judicialização. Isso permitirá às pessoas maior poder de escolha,
compartilhando esforços da área pública com o setor privado. Todo médico brasileiro poderá atender a qualquer plano de saúde.

“Todo médico brasileiro poderá atender a qualquer plano de saúde” na verdade quer dizer “todo médico brasileiro vai ter que ceder às compensações risíveis que os planos de saúde pagam aos profissionais, porque senão não conseguem trabalhar”. Poder de escolha coisa nenhuma – médico forçado a trabalhar por migalhas vai atender igual à cara dele, e não tiro a razão dele não.

 

PREVENIR É MELHOR E MAIS BARATO

Mais Médicos: Nossos irmãos cubanos serão libertados. Suas famílias poderão imigrar para o Brasil. Caso sejam aprovados no REVALIDA, passarão a receber integralmente o valor que lhes é
roubado pelos ditadores de Cuba!

Além da Revalida, sugiro apertar mais o Provão e a fiscalização das faculdades, porque o que tem de faculdade de medicina formando médicos péssimos no Brasil não tá no gibi. Temos uma legião de médicos que na verdade são técnicos em medicina incapazes de tratar os pacientes com gentileza, de dar atenção às queixas, de aceitar críticas, de ouvir outras opiniões, de trabalhar em harmonia com a equipe de enfermagem e com outros profissionais de saúde, que eles consideram inferiores. Uma legião de médicos que escrevem tudo errado, cometem erros inacreditáveis, são negligentes e jamais deveriam estar exercendo, mas estão, pois têm um diploma de uma faculdade vagabunda nas mãos. Prepara um Provão bem difícil, enche as faculdades de fiscais, faz avaliações severas e você vai ver quantas faculdades de bosta vão fechar. Vão sobrar bem poucas particulares, digo com tranquilidade.

 

Médicos de Estado: Será criada a carreira de Médico de Estado, para atender as áreas remotas e carentes do Brasil

Já existem programas pra mandar médicos pra regiões remotas do país; tenho colegas que trabalharam em cidades microscópicas em áreas de floresta e tal. Ninguém quer ir, porque ninguém em sã consciência quer morar num lugar remoto, sem infra nenhuma, sem conforto, sem nada pra fazer. Além de médicos, esses lugares remotos precisam de infraestrutura, que não está prevista no programa. Obviamente, o programa não especifica como será essa carreira, quem vai fazer parte dela, de onde virão os fundos pra custeá-la, como serão definidos os locais pra onde serão mandados esses profissionais. Mais uma frase absolutamente vazia, desprovida de significado.

 

Os agentes comunitários de saúde serão treinados para se tornarem técnicos de saúde preventiva para auxiliar o controle de doenças frequentes como diabetes, hipertensão, etc.

Legal, medicina preventiva. Já existem agentes comunitários treinados (também) pra saúde preventiva. São poucos, ganham pouco e contam com pouca infraestrutura. Quais são os planos pra mudar esse quadro? Nenhum, ao que parece, pois o plano não especifica.

 

UM EXEMPLO DE PREVENÇÃO

Saúde bucal e o bem estar da gestante. Estabelecer nos programas neonatais em todo o país a visita ao dentista pelas gestantes. Onde isso foi implementado , houve significativa redução de prematuros.

Saúde bucal é importante pacas, eu sei. Boa saúde bucal reduz o tempo de internação em UTI, por exemplo. Mas e aí? Do que mais precisamos, além de reduzir a incidência de bebês prematuros? Por que essa obsessão com a saúde bucal? Ele deve ter lido algo sobre isso em algum lugar, achou chique e agora enfia isso em tudo o que é debate e conversa.

 

Outro exemplo será a inclusão dos profissionais de educação física no programa de Saúde da Família, com o objetivo de ativar as academias ao ar livre como meio de combater o sedentarismo e a obesidade e suas graves consequências à população como AVC e infarto do miocárdio.

Interessante. Onde serão essas academias ao ar livre? Nas muitíssimas (cof cof) áreas verdes das nossas cidades, visto que somos um país que preza muitíssimo pelos seus parques (cof cof)? Que horas as pessoas irão fazer atividade física?  Antes ou depois de pegar a primeira de três conduções pra ir pro trabalho ou pra voltar pra casa? Quem vai ficar com os filhos dessas pessoas enquanto elas malham? Vai haver educação alimentar pra esses cidadãos? Porque todo mundo tá careca de saber que alimentação, estresse, fumo, consumo de álcool são fatores tão importantes quanto o sedentarismo pra manutenção da saúde. O que será feito pra reduzir o estresse das pessoas? Dica: cortar o décimo-terceiro salário NÃO reduz o estresse.

Mais um bloco do programa que não diz absolutamente nada. Nada, nada, nada. Um grande vazio de ideias habitado por frases feitas desprovidas de significado, que um macaco mais espertinho seria capaz de formar usando aqueles kits de palavras magnéticas pra colar na porta da geladeira.

 

Esse texto é parte de uma série. Não deixe de ver os nossos outros textos sobre o tema:

Introdução
Parte 1: “O Brasil livre”
Parte 2: “Mais Brasil, menos Brasília
Parte 3: Estrutura e gestão
Parte 4: Linhas de ação
Parte 5: Mentiras da esquerda
Parte 6: Defesa nacional
Parte 7:  Saúde
Parte 8: Educação (EM BREVE)
Parte 9: Inovação, ciência e tecnologia (EM BREVE)
Parte 10: Economia (EM BREVE)
Parte 11: Economia 2 (EM BREVE)
Parte 12: Economia 3 (EM BREVE)
Parte 13: Economia 4 (EM BREVE)
Parte 14: Economia 5 (EM BREVE)
Parte 15: Agricultura e Infraestrutura (EM BREVE)
Parte 16: Energia, petróleo e gás (EM BREVE)
Parte 17: Tranportes, portos e aviação (EM BREVE)
Parte 18: O novo Itamaraty (EM BREVE)

Guia de sobrevivência ao almoço de domingo – Parte 5: “Mentiras da esquerda”

Tempo de leitura: 7 minutos

Opa! Estamos de volta pra continuar a nossa saga pelo território inóspito de ideias chamado “Projeto Fênix”. Se segura que só pelo título esse aqui já promete!

MENTIRAS DA ESQUERDA

“a polícia é a que mais mata“
• O Brasil está em Guerra. Veja o título do recente documentário da Globo: “A Guerra do Brasil”!
• Segundo o IBGE, criminosos praticaram oficialmente 62.517 homicídios no Brasil em 2016.
• Intervenções policiais legais resultaram em 1.374 mortes em 2016.
• Apenas 2% de mortes violentas no Brasil estiveram associadas com ações policiais.
• Tais ações estão concentradas em dois Estados: Rio de Janeiro, com 538 mortes; e Bahia, com 364 mortes. Juntos, totalizam 66% das mortes! Retirando-se esses dois Estados, em 2016 as mortes violentas no Brasil associadas com ações policiais seriam 472, um número inferior a 1% do total

OK, logo depois do título que afirma que a esquerda mente vem a frase entre aspas “a polícia que mais mata”, isso já nos leva a crer que essa afirmação é mentirosa. Bem, se ele realmente acredita que esses dados são mentirosos é melhor ele ir reclamar com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública ou então com a Anistia Internacional. Vamos vencer essa frase a coisa ainda vai longe e não dá pra simplesmente enfiar os dados na cabeça de quem teima no negacionismo.

Essa segunda frase é sensacional! Você deve acreditar que o Brasil está em guerra, por qual outro motivo a Globo faria um documentário chamado “A Guerra do Brasil”? Acabei de ver que tem um documentário chamado “BR-101: A rodovia de muitos ‘Brasis'”. Será que todos os movimentos separatistas lograram êxito e eu não fiquei sabendo?

Em tempo: afinal a Globo mente ou fala a verdade? Matéria dela só serve quando convém?

Eu não deveria, mas como eu sou um cara muito legal, eu vou passar pro JB os números reais e atualizados das mortes decorrentes de intervenções policiais em 2017 (francamente, PSL, eu sozinho faço uma pesquisa melhor que a equipe de planejamento presidencial de vocês, que vergonha). Em números absolutos foram 5.169 mortes, um número mais de 3,76 vezes maior que o publicado no plano de governo de Bolsonaro. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A GUERRA NO BRASIL SERÁ VENCIDA!

NOSSOS HERÓIS SERÃO LEMBRADOS!
• Enquanto a esquerda está preocupada com as mortes associadas a ações policiais, segundo a Ordem dos Policiais do Brasil (OPB), foram mortos 493 policiais em 2016! Em 2017 esse total subiu para 552 e, infelizmente, tudo indica que teremos ainda mais policiais mortos em 2018.
• São Heróis Nacionais que tombaram e foram esquecidos pelos atuais governantes nesta Guerra do Brasil! Um dos compromissos será lembrar o nome de cada um desses guerreiros! Suas famílias serão homenageadas e cada um desses heróis terá seu nome gravado no Panteão da Pátria e da Liberdade!
Nós brasileiros agradecemos aos heróis e suas famílias pela  coragem e pelo sacrifício que fizeram! Que seus nomes nunca sejam esquecidos!

Uma coisa que me mata de agonia nesse ufanismo militarista todo é a quantidade de exclamações e gritos de guerra. Um saco tentar argumentar quando o outro lado só tá gritando frases motivacionais. Se essa porra resolvesse alguma coisa era só dar um megafone na mão do augusto Cury e o Brasil virava a Suíça.

Diferentemente do candidato, que costuma trocar de órgão para o que melhor apetece a sua visão de mundo, eu vou continuar a fazer a análise com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018. Nele consta que o número de policiais vítimas de homicídio foi de 386 em 2016 e 367 óbitos em 2017. Claro que o número não deixa de ser trágico; é lamentável ver trabalhadores mal remunerados e pouco capacitados perdendo suas vidas num combate sem sentido, mas aqui vou continuar me atendo aos dados do candidato e o fato é que os dados informados por Bolsonaro são, respectivamente, 27% e 50% maiores do que o reportado. Tire suas próprias conclusões. Pra mim isso aí é desonestidade.

A melhor forma de honrar cada um dos caídos nessa grande idiotice chamada guerra às drogas é, de uma vez por todas, evitar que outros trabalhadores trilhem o mesmo caminho. Isso passa inevitavelmente por reorientar a política de drogas no país. E se você não acredita nisso, saiba que não sou em quem diz. Esse é o sexto ponto da agenda “Segurança Pública é a Solução”, criada pelo mesmo Fórum Brasileiro de Segurança Pública citado anteriomente.

PRENDER E DEIXAR NA CADEIA SALVA VIDAS!

Mato Grosso do Sul, São Paulo e Brasília são os que mais prendem e os que mostram avanços…
http://www.justica.gov.br/news/mj-divulgara-novo-relatorio-do-infopen-nesta-terca-feira/relatorio-depen-versao-web.pdf

OUTRO EXEMPLO DE MUDANÇA IDEOLÓGICA

Combater o ESTUPRO de mulheres e CRIANÇAS!

Ué, se prender salva vidas e nós temos a terceira maior população carcerária do mundo, por que é que não somos o terceiro país mais seguro do mundo? Essa falácia foi tão fácil de desmentir que não deu nem graça, mas aqui a ideia não é ficar jogando frase de efeito pra cair oclinhos na cara e virar um meme babaca, então vamos usar números: no 10º Anuário de Segurança Pública de 2016 foi registrada uma população carcerária de 584.361 detentos; em 2018 o mesmo relatório apresenta o número de 729.551 presos, um aumento de quase 25%. Vejamos os outros crimes citados:

Homicídios: de 52.463 para 55.900, aumento de 6,5%

Roubo e furto de veículos: de 242.097 para 276.371, aumento de 14%

Estupros: de 55.070 para 61.032, aumento de 10%

Você, leitor, se sente mais seguro agora? Se a atual política de encarceramento não vem funcionando, o que é que faz o candidato acreditar que a dele fará?

CONCLUSAO (sic)

Os números comprovam que o extermínio de brasileiros é realizado pelos criminosos!
Para reduzir os homicídios, roubos, estupros e outros crimes:
1º Investir fortemente em equipamentos, tecnologia, inteligência e capacidade investigativa das forças policiais,
2º Prender e deixar preso! Acabar com a progressão de penas e as saídas temporárias!
3º Reduzir a maioridade penal para 16 anos!
4º Reformular o Estatuto do Desarmamento para garantir o  direito do cidadão à LEGÍTIMA DEFESA sua, de seus familiares, de sua propriedade e a de terceiros!
5º Policiais precisam ter certeza que, no exercício de sua atividade profissional, serão protegidos por uma retaguarda jurídica. Garantida pelo Estado, através do excludente de ilicitude. Nós brasileiros precisamos garantir e reconhecer que a vida de um policial vale muito e seu trabalho será lembrado por todos nós! Pela Nação Brasileira!
6º Tipificar como terrorismo as invasões de propriedades rurais e urbanas no território brasileiro.
7º Retirar da Constituição qualquer relativização da propriedade privada, como exemplo nas restrições da EC/81.
8º Redirecionamento da política de direitos humanos,  priorizando a defesa das vítimas da violência.

Dava pra falar bastante sobre cada um desses pontos mas vamos nos ater a só alguns, até porque o texto já está muito longo e ainda faltam mais 13 partes.

Vale tomar algum tempo pra se falar do tal “excludente de ilicitude”. Esse mecanismo legal já existe no nosso código penal e diz o seguinte:

Art. 23

“Não há crime quando o agente pratica o fato:
I – em estado de necessidade;
II – em legítima defesa;
III – em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
Parágrafo Único. O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.”

Art. 24

“Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
    §1º Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.
    §2º Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.”

Ou seja, matar uma pessoa é crime mas se essa pessoa estiver sob as circunstâncias acima tudo é relativizado. Pelas características da lei já se pode notar de que ela é traada como uma exceção, uma previsão jurídica de uma situação que eventualmente pode acontecer mas não é o ideal (bem, dá pra falar disso de todo o código penal). O problema aqui é que Bolsonaro trata essa prerrogativa como uma regra, sendo assim não é nenhum exagero dizer que o que ele propõe é dar uma licença para matar. a afirmação de que “precisamos garantir e reconhecer que a vida de um policial vale muito” não passa de um espantalho para uma falsa simetria em que a vida de um policial vale mais que a de qualquer pessoa suspeita de um crime, seja ela inocente ou não.

Lembra do papo que bandido bom é bandido morto? Então, senta aqui e leia esse texto. O excludente de licitude dá a qualquer criminoso que se esconda atrás de uma farda a possibilidade de escapar de prisões preventivas e a liberdade provisória mesmo se pego em flagrante. Parece uma boa ideia pra você?

A questão sobre o direito de propriedade também é bem sintomática. Eu realmente fiquei espantado de nenhum adversário estar batendo nisso. Vejamos o que é a tal EC/81 que ele quer derrubar:

“Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei.”

Já sabemos que o candidato não é um defensor das drogas. O que sobrou na lei? O trabalho escravo. Pra evitar qualquer tipo de confusão sobre o que a legislação brasileira considera trabalho escravo, vamos ver direto da fonte:

Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto:

§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:

– cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho;

II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.”

Não há a mínima possibilidade de achar esse texto dúbio. Juntando os pontos, dá pra concluir que Bolsonaro é contra retirar as terras de um proprietário que tenha comprovadamente usado mão de obra de pessoas escravizadas em sua plantação, uma pessoa que tem sangue nas mãos.

Entre escolher entre a dignidade dos trabalhadores e a propriedade privada, Bolsonaro já fez a sua escolha. Eu não consigo expressar em texto o tamanho do meu ódio.

Esse texto é parte de uma série. Não deixe de ver os nossos outros textos sobre o tema:

Introdução
Parte 1: “O Brasil livre”
Parte 2: “Mais Brasil, menos Brasília
Parte 3: Estrutura e gestão
Parte 4: Linhas de ação
Parte 5: Mentiras da esquerda
Parte 6: Defesa nacional
Parte 7:  Saúde
Parte 8: Educação (EM BREVE)
Parte 9: Inovação, ciência e tecnologia (EM BREVE)
Parte 10: Economia (EM BREVE)
Parte 11: Economia 2 (EM BREVE)
Parte 12: Economia 3 (EM BREVE)
Parte 13: Economia 4 (EM BREVE)
Parte 14: Economia 5 (EM BREVE)
Parte 15: Agricultura e Infraestrutura (EM BREVE)
Parte 16: Energia, petróleo e gás (EM BREVE)
Parte 17: Tranportes, portos e aviação (EM BREVE)
Parte 18: O novo Itamaraty (EM BREVE)

É isso mesmo que você quer para o país? Se não for, não deixe de compartilhar esse texto com seus amigos (ou não), e se estiver dentro das suas possibilidades considere auxiliar financeiramente o nosso humilde projeto. Com apenas 5 reais você nos ajuda demais a manter os custos e a qualidade do trabalho aqui feito.

 

Guia de sobrevivência ao almoço de domingo – Parte 4: Linhas de ação

Tempo de leitura: 6 minutos

Já que a gente se meteu nessa enrascada por iniciativa própria, simbora continuar essa série pra terminar o quanto antes. A palavra chave de hoje é: segurança.

LINHAS DE AÇÃO

SEGURANÇA E COMBATE À CORRUPÇÃO: enfrentar o crime e cortar a corrupção.
SAÚDE E EDUCAÇÃO: eficiência, gestão e respeito com a vida das pessoas. Melhorar a saúde e dar um salto de qualidade na educação com ênfase na infantil, básica e técnica, sem doutrinar.
ECONOMIA: Emprego, Renda e Equilíbrio Fiscal. oportunidades e trabalho para todos, sem inflação.

“Enfrentar o crime e cortar a corrupção”, baita proposta, hein! Como ninguém pensou nisso antes, não é mesmo?

Esse slide não tem nenhuma informação digna de nota, todos esses assunto serão melhor (?!) abordados no futuro, então vamos ignorar por enquanto.

SEGURANÇA E COMBATE À CORRUPÇÃO

SEGURANÇA E COMBATE À CORRUPÇÃO
A Globo, em seu documentário A Guerra do Brasil (dezembro de 2017), chama atenção para alguns números:

  • 60 mil homicídios por ano, mais que 92 países juntos. Muito acima dos 14 mil homicídios dos EUA, que têm uma população 50% maior que a nossa.

  • No Brasil, 786 mil pessoas foram assassinadas entre 2001 e 2015.

  • Na Guerra do Iraque, entre 2003 e 2017, foram mortas 268 mil pessoas; Na Síria, de 2011 a 2017: 330 mil.

  • Segundo o documentário, os culpados são: as armas de fogo, que causam 7 em cada 10 mortes.

  • O documentário indica os 5 primeiros colocados no ranking de piora: Rio Grande do Norte, Maranhão, Pará, Bahia e Ceará, porém, deixa no ar a razão da piora.

  • Menciona a melhora substancial que a Colômbia teve, pois reduziu em 70% os homicídios, porém, não diz as causas disso.

Desculpem a repetição da frase “SEGURANÇA E COMBATE À CORRUPÇÃO” mas eu prometi que iria manter como está no original.

Então vamos lá, os números. Eu não vou procurar a fonte dos números pra não cair em uma guerra de narrativas; vou tomá-las como verdadeiras para analisar estritamente o conteúdo do documento. Indo por essa lógica, eu já posso dizer logo de cara que é bastante desonesto comparar uma guerra como a do Iraque com a situação do Brasil. O Brasil possui uma desigualdade social abissal e a violência aqui se dá de uma forma completamente diferente. Não dá pra comparar com uma guerra em que um dos lados matava pessoas como se estivesse jogando videogame (vídeo não indicado para pessoas sensíveis).

Lembre-se: temos a maior taxa de mortes de policiais do mundo e a polícia que mais executa pessoas também. Ambos os fatos são absurdos, sem exceções.

Sobre os estados, eu falo depois do próximo slide.

“CONTRA A ESQUERDA: NÚMEROS E LÓGICA”

• As armas são instrumentos, objetos inertes, que podem ser utilizadas para matar ou para salvar vidas. Isso depende de quem as está segurando: pessoas boas ou más. Um martelo não prega e uma faca não corta sem uma pessoa…
• EUA, Áustria, Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia, Israel, Suíça, Canadá, etc, são países onde existe uma arma de fogo na maioria dos lares. Coincidentemente, o índice de homicídios por armas de fogo é muito menor que no Brasil. No Canadá, são 600 homicídios por ano! Em Israel 110 e Suíça 40!
• Peguemos o exemplo de nossos vizinhos: Chile, Uruguai, Argentina e Paraguai. Um tratamento estatístico mostrará uma correlação inversa entre armas nos lares e homicídios!
• Já a Venezuela, que aumentou a restrição às armas da população civil, está com o dobro de homicídios do Brasil: quase 60 por 100 mil. Com 31 milhões de habitantes, matam 17 mil por ano! Seria como 120 mil homicídios no Brasil por ano!

Adorei esse slide, ele já começa com “CONTRA A ESQUERDA” hahahaha. Bem, então vejamos.

A primeira afirmação é verdadeira, claro; objetos não cumprem os seus objetivos sem uma ação de comando. A diferença é que o martelo e a faca (eu não devia mas eu ri quando vi a referência) não têm por objetivo principal matar.

A segunda informação também não está errada do ponto de vista estatístico; talvez só tenha faltado dizer que TODOS os países citados também possuem um nível de desigualdade social muito menor que o nosso, ou vai dizer que você preferiria morar num Brasil com armas a morar numa Suíça desarmada?

OK, vejamos as leis dos países citados na URSAL América Latina. A fonte é do Senado Federal:

  • CHILE: Uma lei de novembro de 2004 prevê prisão para quem porta armas ilegais e anistia quem entregá-las em delegacias.
  • URUGUAI: Posse é permitida, após curso sobre manejo de armas e legislação. São exigidos testes psicológicos e físicos, além de atestado de antecedentes criminais.
  • ARGENTINA: O porte, conforme a legislação local, só se permite a policiais e militares e, excepcionalmente, a civis cuja vida esteja comprovadamente em perigo
  • PARAGUAI: O porte é permitido, existindo restrições só para armas automáticas ou de guerra.

Vê-se que os caminhos não são tão diferentes assim dos que foram tomados pelo Brasil. A Venezuela não foi colocada em um tópico à parte por acaso; todos sabemos que as conversas se inflamam quando se fala de qualquer ação tomada no palácio de Miraflores. A lei do desarmamento venezuelana foi citada de modo tão vago que eu vou até deixar o link do documento original aqui pra quem quiser  estudar o caso.

Para os preguiçosos, eu dou uma resumida aqui: no tocante ao porte de arma, esse só fica totalmente proibido caso seu dono esteja drogado ou bêbado ou em manifestações ou locais públicos em que haja consumo de bebidas alcoólicas (artigo 10). No mais, as únicas armas proibidas são as não registradas.

“Artículo 1. Esta Ley tiene por objeto el desarme de las personas que porten, detenten u oculten armas de fuego de manera ilegal, a los fines de salvaguardar la paz, la convivencia, la seguridad ciudadana, y de las instituciones, así como la integridad física de las personas y de sus propiedades.

(…)

Artículo 3. Son armas de fuego ilegales las que no estén registradas en la Dirección de Armamento de la Fuerza Armada Nacional. “

Vou deixar que você tire suas próprias conclusões…

AIN MAS VC NAUM REFUTOU O NÚMERO DE MORTES NA VENEZUELA!!!!11!!

De fato não o fiz, lembra do que eu falei sobre a desigualdade? Então…

“VAMOS AOS FATOS”

Os 5 primeiros colocados no ranking de piora: Rio Grande do Norte, Maranhão, Pará, Bahia e Ceará, são regiões que passaram a ser governadas pela esquerda ou seus aliados e onde a “epidemia” de drogas não foi coincidentemente introduzida.
Aliás, o avanço das drogas e da esquerda são prevalentes nas regiões mais violentas do mundo: Honduras, Nicarágua, El Salvador, México e Venezuela (onde há forte restrição à população ter armas).
O documentário NÃO menciona que a melhora substancial da Colômbia foi o resultado da derrota das FARC (que abertamente vive do tráfico de drogas). Além disso, as FARC participaram do Foro de São Paulo, fundado pelo PT e pelo ditador cubano. A verdade é que o número de homicídios no Brasil passou a crescer de forma consistente a partir do 1º Foro de SP, no início dos anos 1990.
Houve até “bolsa crack” em cidades administradas pela esquerda, como por exemplo em São Paulo.

Não causa nenhuma surpresa constatar que os estados citados pelo programa de governo de Bolsonaro têm várias outras coisas em comum: todos ficam no Nordeste, região que sofre com uma disputa de território por parte do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital, ambos oriundos do Sudeste. Alguém aí pode me citar ações concretas do ex-militar para conter o avanço do CV em seu estado? Não achei nenhuma aqui e me parece que 27 anos foram tempo o suficiente pra pensar nessas coisas, né não? Estes estados também figuram nada bem no Índice de Gini, um indicador que mede a desigualdade social. Associar essa ascenção do crime com os governos de esquerda é, pra dizer o mínimo, uma correlação espúria, assunto que você já viu em outro texto da série.

Esse “bolsa crack” citado é digno de uns pitacos e talvez seja a parte mais canalha do slide. Primeiro porque é praticamente jogado no slide sem contextualização, deixando a cargo do leitor fazer a associação que lhe convém. No caso dos bolsonaristas de plantão, vai ser a pior possível, por se tratar de um programa de governo associado à Prefeitura de São Paulo no mandato de Haddad. O nome disso é wishful thinking, o “pensamento desejoso” de que isso seja verdade. A canalhice ainda é maior quando a forma vaga da frase dá chance para a ambiguidade: a tal “bolsa crack” pode ser compreendida como um apelido ao programa “De braços abertos” – que visava ser um programa de redução de danos com oferta de moradia e emprego a fim de quebrar o estigma dos usuários – ou como uma fake news que rolou há algum tempo atrás. Vai da honestidade intelectual do leitor.

“VAMOS AOS NÚMEROS: ATLAS DA VIOLÊNCIA 2018 DO IBGE”

Esse eu tive até que printar que esse silde é praticamente uma vitamina de ódio dos tempos da guerra fria com o mais puro Tiozão do Zap!

Você que chegou até aqui já é bem inteligente pra saber que a relação não é verdadeira, então não tem muito o que comentar sobre essa parte, a não ser que o link informado no slide está quebrado e não leva a lugar nenhum.

Chega por hoje.

Esse texto é parte de uma série. Não deixe de ver os nossos outros textos sobre o tema:

Introdução
Parte 1: “O Brasil livre”
Parte 2: “Mais Brasil, menos Brasília
Parte 3: Estrutura e gestão
Parte 4: Linhas de ação
Parte 5: Mentiras da esquerda
Parte 6: Defesa nacional
Parte 7:  Saúde
Parte 8: Educação (EM BREVE)
Parte 9: Inovação, ciência e tecnologia (EM BREVE)
Parte 10: Economia (EM BREVE)
Parte 11: Economia 2 (EM BREVE)
Parte 12: Economia 3 (EM BREVE)
Parte 13: Economia 4 (EM BREVE)
Parte 14: Economia 5 (EM BREVE)
Parte 15: Agricultura e Infraestrutura (EM BREVE)
Parte 16: Energia, petróleo e gás (EM BREVE)
Parte 17: Tranportes, portos e aviação (EM BREVE)
Parte 18: O novo Itamaraty (EM BREVE)

Guia de sobrevivência ao almoço de domingo – Parte 3: “A nova forma de governar”

Tempo de leitura: 4 minutos

Estrutura e Gestão

REDUÇÃO DE ESTRUTURAS MINISTERIAIS
ATUALMENTE TEMOS 29 MINISTÉRIOS

23 Ministérios;
2 Secretarias com status de Ministério;
4 Órgãos com status de Ministério;
Fonte:www2.planalto.gov.br/presidencia/ministros

O PAÍS FUNCIONARÁ MELHOR COM MENOS MINISTÉRIOS
Um número elevado de ministérios é ineficiente, não atendendo os legítimos interesses da Nação. O quadro atual deve ser visto como o resultado da forma perniciosa e corrupta de se fazer política nas últimas décadas, caracterizada pelo loteamento do Estado, o popular “toma lá-dá-cá”.

Mas olha só quem aprendeu a dar fontes sobre as informações que divulga! Uma pena isso só acontecer quando é conveniente e óbvio.  Nesse trecho a única coisa digna de nota é a expressão “toma lá-dá-cá” (porque diabos eles escrevem desse jeito, cacete??).

Qualquer um que já tenha acompanhado as entrevistas de Bolsonaro em sabatinas ou debates já se deparou com essa expressão, é um termo que ele usa com muita frequência e está associado à troca de favores entre políticos e partidos e também como uma crítica à partilha de cargos em ministérios e secretarias a fim de compor uma base menos turbulenta. Curiosamente, pesquisando aqui eu não achei nenhuma crítica do então deputado Bolsonaro à nomeação para o IBGE de Paulo Rabello de Castro do seu partido à época, o PSC. Pouco mais de um ano depois Rabello foi nomeado presidente do BNDES sob aplausos das associações empresariais (leia-se FIESP e demais amigos do Pato) pois viram nele uma pessoa que acabaria com a política da gestão anterior que foi, segundo eles  de “baixa liberação de recursos e do rigor fiscal da equipe econômica”, ou seja, nas entrelinhas o patronato brasileiro queria uma pessoa mais mão aberta com os recursos públicos federais, que exigisse menos garantias e não fosse tão fiscalmente criteriosa (Estado mínimo pra quem mesmo?).

Se alguém achar uma linha de citação deBolsonaro criticando essas atitudes, me mande, pois eu realmente não vi em lugar nenhum.

ORÇAMENTO BASE ZERO

Com o fim do aparelhamento dos ministérios, inverteremos a lógica tradicional do processo de gastos públicos. Cada gestor, diante de suas metas, terá que justificar suas demandas por recursos públicos.
Os recursos financeiros, materiais e de pessoal, serão disponibilizados e haverá o acompanhamento do desempenho de sua gestão.
O montante gasto no passado não justificará os recursos demandados no presente ou no futuro. Não haverá mais dinheiro carimbado para pessoa, grupo político ou entidade com interesses especiais.
Prioridades e metas passam a ser a base do Orçamento Geral da União, para gastar o dinheiro do POVO obtido pelos impostos.

Isso aqui me parece no mínimo delirante, parece que eu estou ouvindo alguém que está ardendo em febre e não consegue concatenar suas ideias. Talvez seja a parte mais vaga do plano até agora: metas para ministérios? Qual vai ser a meta do ministério da cultura? O número de pessoas que leram Machado de Assis? Que visitaram museus? Isso não faz o menor sentido.

Falar sobre não haver “dinheiro carimbado” também é complicado; parece que os 27 anos como deputado não ajudaram Bolsonaro a entender como funciona a administração pública, mesmo depois de ter participado de 26 aprovações de orçamento.

Será que isso aqui é dinheiro carimbado?

A imagem acima foi retirada da última Lei orçamentária aprovada, caso alguém queira mais detalhes está disponível aqui

MAIS BRASIL, MENOS BRASÍLIA

Brasília não pode ser o objetivo final de um governo. Quase 99% da população vive nos outros 5.570 municípios do Brasil.
Os ministros passam a ser executivos em suas respectivas áreas, com a missão de coordenar esforços de governadores, prefeitos e seus secretários para o atingimento de metas claras.
Nas últimas décadas, o Governo Federal concentrou a arrecadação de tributos, criando burocracia e ineficiência para controlar os entes federados. Queremos uma Federação de verdade. Os recursos devem estar próximos das pessoas: serão liberados automaticamente e sem intermediários para os prefeitos e governadores. As obras e serviços públicos serão mais baratos e com maior controle social.

UM GOVERNO QUE CONFIA NOS BRASILEIROS!
Chega de carimbos, autorizações e burocracias. A complexidade burocrática alimenta a corrupção. Faremos um Governo que confiará no cidadão, simplificando e quebrando a lógica que a esquerda nos impôs de desconfiar das pessoas corretas e trabalhadoras. Não continuaremos a tratar a exceção como regra, o que prejudica a maioria dos seguidores da lei.
O GOVERNO VAI CONFIAR NOS INDIVIDUOS!
O GOVERNO RECUARÁ, PARA QUE OS CIDADÃOS POSSAM AVANÇAR!

Neste trecho, Bolsonaro (ou seja lá quem escreveu isso pra ele, futuramente teremos razões pra duvidar que ele sequer leu esse documento) induz o leitor ao erro de associar automaticamente os controles à burocracia. O auge desse trecho é a frase “Faremos um Governo que confiará no cidadão, simplificando e quebrando a lógica que a esquerda nos impôs de desconfiar das pessoas corretas e trabalhadoras. Não continuaremos a tratar a exceção como regra, o que prejudica a maioria dos seguidores da lei”. Seguidores da lei assim como o Paulo Guedes, que ganhou uma nota preta com uma fraude na bolsa de valores?

Essa liberalização pregada por Bolsonaro nada mais é do que o enfraquecimento dos instituições de fiscalização e controle. Se já há corrupção com todos os mecanismos de hoje, o que será de nós sem eles? Claro que teremos mais corrupção, será terra de ninguém! O próximo passo seria vir a público e dizer ‘ain, tem muita corrupção no setor público, acho melhor a gente privativar…’. Bem-vindos ao tenebroso mundo do Estado mínimo.

E a tendência é piorar…

 

Esse texto é parte de uma série. Não deixe de ver os nossos outros textos sobre o tema:

Introdução
Parte 1: “O Brasil livre”
Parte 2: “Mais Brasil, menos Brasília
Parte 3: Estrutura e gestão
Parte 4: Linhas de ação
Parte 5: Mentiras da esquerda
Parte 6: Defesa nacional
Parte 7:  Saúde
Parte 8: Educação (EM BREVE)
Parte 9: Inovação, ciência e tecnologia (EM BREVE)
Parte 10: Economia (EM BREVE)
Parte 11: Economia 2 (EM BREVE)
Parte 12: Economia 3 (EM BREVE)
Parte 13: Economia 4 (EM BREVE)
Parte 14: Economia 5 (EM BREVE)
Parte 15: Agricultura e Infraestrutura (EM BREVE)
Parte 16: Energia, petróleo e gás (EM BREVE)
Parte 17: Tranportes, portos e aviação (EM BREVE)
Parte 18: O novo Itamaraty (EM BREVE)

pequenos machismos, grandes vitórias

Tempo de leitura: 5 minutos

Vamos falar hoje de pequenos machismos terrivelmente entranhados na nossa sociedade, que muitas vezes passam batido e a gente nem nota.

Há algumas semanas um dos meus amigos médicos publicou esse meme no grupo de WhatsApp da faculdade:

Deixei quieto um tempo pra ver se alguém dizia alguma coisa. Alguns riram; a maioria nem respondeu. Depois de um tempinho fui no grupo das meninas mais chegadas e perguntei: quantos homens vocês conhecem que gastam mais que as suas mulheres? Só uma respondeu que isso era maluquice, pois sabe-se que mulheres gastam mais. As outras concordaram que seus maridos gastam mais – e eu me incluo nesse grupo. Não só porque ganho muito menos do que o meu marido, mas porque não tenho paixão por compras idiotas que nem ele (fora alguns muitos Funko Pops, não costumo comprar coisas inúteis e caras).

Como eu vi que ninguém notou o quão machista e idiota é esse meme, deixei o assunto morrer, apesar da vontade ter sido de apontar por que ele é machista. Esse tipo de piada cretina parte do pressuposto que mulheres são fúteis e interesseiras, gastando o dinheiro do marido, o pobre coitado que rala e bota comida na mesa, obrigado a dar dinheiro pra cobrir despesas como manicure, depilação, coleções infinitas de sapatos e bolsas e outros custos tipicamente femininos.

O que eu queria ter dito era isso:

1) Se é verdade que muitas mulheres são sustentadas pelos maridos, também é verdade que:

a) Em muitíssimos casos isso se dá por falta de incentivo a subir na carreira tanto quanto os homens;

b) Em muitíssimos casos isso se dá porque o ambiente no trabalho é tão machista que impede que mulheres avancem na carreira;

c) Frequentemente mulheres abandonam suas carreiras pra ficar com os filhos, pois todo mundo sabe que cuidar de filho é coisa só de mulher;

d) Frequentemente mulheres abandonam suas carreiras pra seguir o marido, que se muda por causa do emprego. Eu conheço uma dentista que parou de trabalhar porque o marido se muda periodicamente a trabalho e pra ela é impossível montar um consultório e formar clientela fixa sabendo que dali a dois anos vai se mudar novamente;

d) MULHERES GANHAM MENOS QUE HOMENS COM CAPACIDADES SEMELHANTES;

e) O mundo espera que as mulheres sejam sustentadas por seus maridos e muitas delas jamais se questionam sobre isso, jamais pensam em ter sua independência financeira. Certamente não somos educadas desde pequenas pra sermos independentes em termos econômicos.

 

2) Mesmo se fosse verdade que toda mulher gasta rios de dinheiro com manicure, cabelos, maquiagem, sapatos, bolsas, depilação, POR QUE DIABOS ISSO ACONTECE? Cês acham mesmo que a gente acorda um dia e decide depilar a virilha assim do nada? Acham mesmo que a gente nasceu amando tirar cutícula? Acham mesmo que desde pequenas sonhamos com peitos de silicone? Ou será, SERÁAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, que tem um tiquinho de pressão social aí, hmmmmm?

Você que acha que eu estou exagerando, que esse autocuidado é uma coisa típica de mulher, uma coisa natural, uma coisa genética, uma coisa com a qual nascemos: quantas vezes você já criticou o aspecto físico de outra mulher? Quantas vezes você falou ou pensou que feminista não raspa o sovaco? Quantas vezes você não pensou “nossa, que desleixada” quando viu uma mulher com as unhas sem fazer, com as raízes dos cabelos sem pintar, com buço, sem maquiagem, com uma roupa menos arrumada? Bote a mãozinha na consciência e admita pra você mesma que você faz isso todo dia. Eu faço isso todo dia – a diferença é que parei de falar em voz alta, e meu objetivo é parar totalmente de pensar essas coisas. Talvez consiga um dia, mas não garanto; esse condicionamento mental é foda de superar.

Enfim, tudo isso eu queria ter dito, mas não disse porque estava com preguiça de discutir o óbvio.

Hoje em um subgrupo da faculdade (grupo de zap é igual gremlin, se você molhar, ele vira vários outros) alguém postou tuítes do Mr Catra, que não irei reproduzir aqui por preguiça mesmo. Eram vários, um pacote de tuítes, e a maioria tinha conteúdo machista. Bem machista mesmo, escroto, sabe. Eu estava almoçando quando a mensagem chegou; revirei os olhos e voltei ao meu filé de frango na chapa. Qual não foi a minha surpresa quando uma das meninas, anestesista, disse:

“Só achei engraçada a x e a y. As outras são tão machistas que agridem. Desculpa, mas nem consegui achar graça”

Engasguei com a couve de tanta emoção. Logo depois uma das outras meninas, radiologista, deu um reply com o emoji de mulher com a mão levantada, tipo “idem”. Fiz o mesmo. Fui seguida por um dos meninos, proctologista, que disse “também achei. Achei rude e grosseiro”.

MEU

ZEUS

DO

CÉU

Levei a conversa ao grupo das meninas, onde agradeci à anestesista por ter feito a observação, pois estou cansada de ser a única chata do rolé (no Rio é rolé; sorry not sorry). Seguiu-se uma breve mas linda conversa sobre o que é machismo e o que não é, sobre o que é engraçado e o que não é.

A conclusão foi, obviamente, que o humor Trapalhões, que caçoa de mulheres, negros, gordos e gays, tem que ser deixado lá nos anos 80, dos quais jamais deveria ter saído. Uma coisa só é engraçada quando ninguém se ofende. E que o fato de VOCÊ não se ofender com x ou y (eu sou uma que dificilmente me ofendo, por exemplo) não significa que a coisa não é ofensiva pra um outro grupo inteiro de pessoas. Colocar-se no lugar dos outros é um exercício difícil mas que deveríamos fazer sempre. Se alguém tá dizendo que tá sendo ofendido pela piada, pare e pense. É provável que esteja mesmo e que você não tenha pensado sobre isso porque não é o seu calo que está sendo pisado.

NÃO É MIMIMI. NÃO É O MUNDO FICANDO CHATO. É o mundo aprendendo a reclamar quando alguém escroto ri de algo ofensivo pra outras pessoas. Ou seja, é grande a probabilidade que você seja só uma pessoa horrível mesmo que até agora não entendeu que certas piadas são ofensivas e não devem mais ser reproduzidas. 2018, zente. Já deu, né?

Em caso de dúvida, pergunte a alguém que pertence à minoria que está sendo sacaneada. Siga os ensinamentos de Buda: NÃO SEJA CUZÃO.

Um beijo especial pras meninas – Hallynne, Djésmin, Pinho, Sassá – e pro Queiroz. Que mais e mais fichas caiam, todos os dias.

Guia de sobrevivência ao almoço de domingo – Parte 2: “Mais Brasil, menos Brasília”

Tempo de leitura: 6 minutos

E aí, curtiu a primeira parte? Então simbora seguir a análise dessa bela obra (no sentido informal da palavra) de Bolsonaro.

“A NOVA FORMA DE GOVERNAR! MAIS BRASIL, MENOS BRASÍLIA”

2019 SERÁ O ANO DA MUDANÇA
NOSSA VITÓRIA SERÁ CONTRA A SERVIDÃO!
Faremos os ajustes necessários para garantir crescimento com inflação baixa e geração de empregos.
Enfrentaremos os grupos de interesses escusos que quase destruíram o país.
Após 30 anos em que a esquerda corrompeu a democracia e estagnou a economia, faremos uma aliança da ordem com o progresso: um governo Liberal Democrata.
Segurança, Saúde e Educação são nossas prioridades. Tolerância ZERO com o crime, com a corrupção e com os privilégios.

Aqui volta uma jogada bastante malandra que é fingir que declarou guerra a um inimigo mas deixar esse oponente simplesmente sem nome. Afinal, quem são os “grupos de interesses escusos” que Bolsonaro pretende enfrentar? A Odebrecht? A Coca-Cola? O PCC? A associação de moradores do meu bairro? Fica a seu critério aí; imagine um inimigo e concorde comigo.

Talvez o ex-militar esteja tão confiante nas habilidades econômicas de seus ajudantes nessa campanha que esteja ficando desleixado até com as mais simples das operações matemáticas. Só isso explica o candidato dizer que a esquerda vem “corrompendo a democracia” há 30 anos. Eu tive que apelar para a Wikipedia pra descobrir quem eram os manda-chuvas da época: em 1988 o presidente era José Sarney, o presidente da Câmara era Ulysses Guimarães e no Senado quem presidia era Humberto Lucena, os três partidários do PMDB (nenhuma surpresa aqui). A gente nem precisa analisar a biografia dos 3 pra chegar à conclusão que o governo não era um antro de esquerdistas. Depois deles ainda vieram Collor, Itamar, FHC… Digamos que nenhum deles estamparia camisas com a cara do Che Guevara.

Mas então de onde diabos Bolsonaro tirou essa conta de 30 anos?

Sabe outra coisa que também é de 1988? A nossa Constituição, que restabeleceu plenamente o governo civil. Significa? Vou deixar pra você o julgamento.

“TUDO SERÁ FEITO DENTRO DA LEI”

NOSSA CONSTITUIÇÃO PRECISA SER RESPEITADA!
Mesmo imperfeita, Nossa Constituição foi feita por representantes eleitos pelo povo.
Ela é a LEI MÁXIMA E SOBERANA DA NAÇÃO BRASILEIRA.
Lamentavelmente, Nossa Constituição foi rasgada nos últimos anos, inclusive por muitos que deveriam defendê-la.
Nosso conjunto de Leis será o mapa e a BÚSSOLA serão os princípios liberais democratas para navegarmos no caminho da prosperidade. Enfrentaremos o viés totalitário do Foro de São Paulo, que desde 1990 tem enfraquecido nossas instituições democráticas.

Quem rasgou a Constituição? Quando? Em que ocasião? Será que em algum momento Bolsonaro vai parar com essa palhaçada de ficar dando indiretinha?

Ah, o Foro de SP… Demorou, mas enfim começou a maluquice, vamos lá. Pra começar, é bem curioso o jeito como setores da direita tratam o FSP como se fosse uma seita secreta comparável ao Opus Dei e não como se fosse uma confederação com site próprio, e um papel bem claro e definido: “O Foro de São Paulo reúne partidos progressistas, nacionalistas, socialistas e comunistas. Há basicamente dois pontos em comum entre estes partidos: lutar pela integração regional e combater o neoliberalismo”, como afirma sem pestanejar Valter Pomar em entrevista. Mas se tudo é tão às claras assim, então qual é a comoção? Simples, o lance é gerar um espantalho. Fica fácil bater em uma organização que apesar de aberta é pouco conhecida e que não faz o mínimo esforço de se admitir de esquerda.

“DESAFIOS URGENTES”

CONTRA a criminalidade, corrupção e aparelhamento do Estado para estancar os estragos e iniciar o processo de recuperação do país, da economia e da Democracia.
• Mais de 62 mil homicídios por ano.
• Mais de UM MILHÃO de brasileiros foram assassinados desde a 1ª reunião do Foro de São Paulo.
• Epidemia de crack, introduzido no Brasil pelas filiais das FARC.
• Corrupção generalizada e ameaças às instituições que a estão combatendo.
• Infraestrutura insuficiente e deteriorada.
• Educação e saúde à beira do colapso.
• 13 milhões de desempregados, oficialmente.
• Desrespeito às leis, à vida, à propriedade privada e à Constituição Brasileira!

Vamos por partes: A primeira frase só diz o óbvio, ou alguém aí é a favor da corrupção? A segunda frase só mostra um dado. Não dá pra dizer nada a partir dela. É na terceira que a coisa fica divertida; ela é o que costumamos chamar de Correlação Espúria  e tem até um site só disso em inglês. A grande maluquice dele é traçar uma relação entre dois dados que não têm nada a ver um com o outro. Aqui vai um vídeo bem simples e educativo sobre essas correlações.

Bem, explicado esse ponto, cabe mais um esclarecimento sobre o texto acima, que mostra que tão importante quanto O QUE está sendo dito é também COMO e ONDE isso está acontecendo. A quarta frase fala sobre o crack ter sido “introduzido no Brasil pelas filiais das FARC”. Bem, essa frase é complicada, porque a afirmação ainda não é um consenso entre os especialistas. Tudo leva a crer que facções criminosas brasileiras tenham estreitado relações com as FARC que, com a sua produção COLOSSAL de cocaína, abasteceu o mercado brasileiro. O problema não está na frase; onde está então?

O problema está em onde esta frase foi colocada, logo abaixo da frase sobre o Foro de São Paulo. Quando paramos de analisar frase a frase e passamos a ver o todo, a impressão que o texto dá é que a introdução do crack foi uma consequência direta da reunião das esquerdas. Além de ser mais um exemplo de correlação espúria, também beira a sacanagem.

No mais, nada a comentar. Deixemos a defesa da propriedade privada para discutirmos mais além.

“UM BRASIL EM ROTA FISCAL EXPLOSIVA!”

LIBERALISMO ECONÔMICO
As economias de mercado são historicamente o maior instrumento de geração de renda, emprego, prosperidade e inclusão social. Graças ao Liberalismo, bilhões de pessoas estão sendo salvas da miséria em todo o mundo.
Mesmo assim, o Brasil NUNCA adotou em sua História Republicana os princípios liberais. Ideias obscuras, como o dirigismo, resultaram em inflação, recessão, desemprego e corrupção.
O Liberalismo reduz a inflação, baixa os juros, eleva a confiança e os investimentos, gera crescimento, emprego e oportunidades.
Corruptos e populistas nos legaram um déficit primário elevado, uma situação fiscal explosiva, com baixo crescimento e elevado desemprego. Precisamos atingir um superávit primário já em 2020.
Nossa estratégia será adotar as mesmas ações que funcionam nos países com crescimento, emprego, baixa inflação, renda para os trabalhadores e oportunidades para todos.

O liberalismo está salvando bilhões de vidas, curiosamente quase todas no hemisfério norte. E isso tem um preço alto, que é a maximização de lucros e consequente exploração da massa trabalhadora até o limite e quiçá, além dele. Estou exagerando? Não me parece exagero quando uma fábrica tem 200 tentativas de suicídio por ano e ao invés de dar condições de trabalho aos seus trabalhadores opta por instalar redes de proteção e fazer um termo em que tira a responsabilidade da empresa em caso de suicídio.

Sobre os outros pontos citados, eu deixo a palavra com o excelente professor Daniel Souza, que entende mais de economia do que eu entenderei na minha vida inteira.

“O PROBLEMA É O LEGADO DO PT DE INEFICIÊNCIA E CORRUPÇÃO”

Está previsto pelo atual governo que para 2019 o Brasil terá déficit primário de R$ 139 bilhões, que tentaremos reduzir rapidamente. Temos o objetivo de equilibrar as contas públicas no menor prazo possível, buscando um superávit primário que estabilize a relação dívida / PIB. O desafio inicial também será organizar e desaparelhar as estruturas federais, O déficit nominal de 2019, que inclui os juros da dívida, é previsto em R$ 489,3 bilhões (6,5% do PIB). O valor das renúncias tributárias é de R$ 303,5 bilhões (19% da arrecadação). O déficit dos regimes de Previdência Social está previsto em R$ 288,3 bilhões.

Aqui constam apenas dados, nao há muito o que comentar. Só vou deixar uma coisinha aqui: GOVERNO NÃO TEM QUE DAR LUCRO.

“O BRASIL É MAIOR QUE NOSSOS PROBLEMAS”

Apesar do momento difícil, é importante não esquecer que SOMOS MUITO MAIS
FORTES que todos esses problemas.
O Brasil passará por uma rápida transformação cultural, onde a impunidade, a corrupção, o crime, a “vantagem”, a esperteza, deixarão de ser aceitos como parte de nossa identidade nacional, POIS NÃO MAIS ENCONTRARÃO GUARIDA
NO GOVERNO.
Importante mencionar novamente: As leis e, em destaque, Nossa Constituição serão
nossos instrumentos! Ninguém será perseguido, todos terão seus direitos respeitados.
Todavia, investigações não serão mais atrapalhadas ou barradas.
A Justiça poderá seguir seu rumo sem interferências políticas e isso deverá acelerar as
punições aos culpados

Outro slide bem sem sal pra comentar. Aqui Bolsonaro promete que em 4 anos acontecerá uma revolução cultural em que várias coisas dadas como intrínsecas ao dia-a-dia do brasileiro vão deixar de existir. Quer um spoiler? Não vai acontecer. 21 anos de ditadura militar não acabaram com nada disso, pelo contrário: reforçaram que a farda tinha força para executar coisas que até então não eram possíveis, ou seja, a “vantagem” vestiu um uniforme.

Esse capítulo foi meio xoxo de verificar. Esperamos que as coisas melhorem na parte 3.

 

Esse texto é parte de uma série. Não deixe de ver os nossos outros textos sobre o tema:

Introdução
Parte 1: “O Brasil livre”
Parte 2: “Mais Brasil, menos Brasília”
Parte 3: Estrutura e gestão
Parte 4: Linhas de ação
Parte 5: Mentiras da esquerda
Parte 6: Defesa nacional
Parte 7:  Saúde
Parte 8: Educação (EM BREVE)
Parte 9: Inovação, ciência e tecnologia (EM BREVE)
Parte 10: Economia (EM BREVE)
Parte 11: Economia 2 (EM BREVE)
Parte 12: Economia 3 (EM BREVE)
Parte 13: Economia 4 (EM BREVE)
Parte 14: Economia 5 (EM BREVE)
Parte 15: Agricultura e Infraestrutura (EM BREVE)
Parte 16: Energia, petróleo e gás (EM BREVE)
Parte 17: Tranportes, portos e aviação (EM BREVE)
Parte 18: O novo Itamaraty (EM BREVE)

Guia de sobrevivência ao almoço de domingo

Tempo de leitura: 2 minutos

Longe de mim defender Ciro Gomes; o cara é tão problemático que uma fala dele rendeu o nosso episódio número 2 sobre racismo, mas tem horas que a gente tem que concordar. Quando Ciro criticou o que chamou de “esquerda intelectual” dizendo que estavam “voando para os problemas do Brasil”, ele tinha um ponto. Veja bem, eu não disse que ele tinha razão, disse que ele tinha um ponto.

De fato parece haver algum descolamento entre algumas pautas e a grande base de sustentação do povo brasileiro, e isso fica muito evidente pra mim principalmente nos discursos anti-Bolsonaro. O enfrentamento de certas pautas dele se dá de uma forma que não fica exatamente clara pro eleitor mais alienado, praquele cara que não tava acompanhando o notíciário com atenção nos últimos tempos e só agora passa a tentar entender o que tá pegando, afinal falta pouco tempo para as eleições.

Que tal uma ajudinha?

Pensando nisso eu pretendo trazer aqui algumas explicações da forma mais didática possível mas sem acabar no tom professoral. Tentar explanar de um jeito simples cada ponto da plataforma do dito cujo respeitando a intelectualidade de você que lê este texto. Não vou te tratar como criança e vou tentar evitar empregar aquele monte de termo que simplesmente não está no dia-a-dia do trabalhador. Sejamos simples e diretos.

Se você é uma daquelas pessoas que já têm uma boa bagagem mas simplesmente travam quando precisam discutir com um eleitor do Bolsonaro em potencial e assim acaba não conseguindo convencê-lo de não fazer essa burrada, então considere esse documento como um pequeno guia de consulta rápida. Deixe nos favoritos do seu celular; a chance de você precisar dele no próximo almoço de domingo em família é bem alta. Procurei separar entre os temas justamente para facilitar a consulta.

Para que ninguém possa dizer que estamos sendo desonestos, todas as frases do plano de governo de Bolsonaro estarão transcritas na íntegra. Nesta pequena série (separada pra não assustar com o tamanho do texto) vou tentar deixar isso mais claro. Esse é um documento que inicialmente reflete única e exclusivamente a minha visão. Espero que gostem.

Parte 1: “O Brasil livre”
Parte 2: “Mais Brasil, menos Brasília”
Parte 3: “Estrutura e gestão”
Parte 4: “Linhas de ação”
Parte 5: “Mentiras da esquerda”
Parte 6: Defesa nacional
Parte 7:  Saúde
Parte 8: Educação (EM BREVE)
Parte 9: Inovação, ciência e tecnologia (EMBREVE)
Parte 10: Economia (EM BREVE)
Parte 11: Economia 2 (EM BREVE)
Parte 12: Economia 3 (EM BREVE)
Parte 13: Economia 4 (EM BREVE)
Parte 14: Economia 5 (EM BREVE)
Parte 15: Agricultura e Infraestrutura (EM BREVE)
Parte 16: Energia, petróleo e gás (EM BREVE)
Parte 17: Tranportes, portos e aviação (EM BREVE)
Parte 18: “O novo Itamaraty” (EM BREVE)